Quando falamos do clima do planeta, nem tudo é tão simples como «está calor» ou «está frio». A Terra está dividida em diferentes zonas climáticas, e cada uma tem as suas próprias regras que influenciam a temperatura, as chuvas, os ventos e até a vida que ali se desenvolve. Compreender como estas zonas se formam e como são classificadas ajuda-te a entender melhor por que existem desertos, selvas, regiões temperadas e pólos gelados, e como o clima afeta diretamente os ecossistemas e as atividades humanas.
O que é uma zona climática?
Uma zona climática é uma área do planeta definida pela forma como os elementos climáticos se distribuem ao longo da latitude. Estas zonas costumam formar faixas mais ou menos paralelas entre si.
Dentro de uma mesma zona climática, fatores como a radiação solar, a temperatura, a evaporação, a precipitação, a pressão atmosférica e os ventos apresentam características muito semelhantes. No entanto, é impossível que dois locais tenham um clima completamente idêntico. Cada região tem as suas próprias particularidades e, mesmo num mesmo local, o clima varia de um ano para o outro.
Esta distribuição climática por zonas também influencia diretamente a forma como se distribuem os solos, as plantas, os animais e as massas de água, que seguem padrões muito claros em função da latitude.
Por que é que se formam as zonas climáticas?
Existem muitos fatores que influenciam a formação das zonas climáticas, mas o mais importante é a radiação solar.
Como a Terra é esférica, o ângulo de incidência dos raios solares varia consoante a latitude, o que faz com que a quantidade de energia solar recebida seja diferente em cada região.
Por esta razão, as zonas climáticas costumam distribuir-se de forma quase paralela aos paralelos. Das latitudes altas às baixas, as zonas climáticas organizam-se seguindo uma ordem bastante regular.
Formas de dividir as zonas climáticas
Principais métodos de classificação
Classificação da Grécia Antiga
Os antigos gregos foram os primeiros a propor uma divisão climática utilizando como limites os trópicos e os círculos polares. Assim, dividiram a Terra em cinco zonas:
- Zona tropical
- Zona temperada do sul
- Zona temperada do norte
- Zona fria do sul
- Zona fria do norte
Esta divisão é conhecida como zona climática astronómica ou zona climática geográfica.
Classificação de A. Supan
Em 1879, A. Supan propôs utilizar a isoterma de 20 °C de temperatura média anual e a isoterma de 10 °C do mês mais quente para dividir o planeta nas mesmas cinco grandes zonas climáticas.
Classificação de W. P. Köppen
Entre 1900 e 1936, Köppen classificou o clima mundial com base nas diferenças de temperatura e precipitação, identificando cinco grandes tipos:
- Clima tropical chuvoso
- Clima seco
- Clima temperado chuvoso
- Clima frio de florestas nevadas
- Clima de gelo perene
Classificação de L. C. Berg
Em 1925, Berg teve em conta a relação entre o clima e a paisagem natural e baseou a sua classificação nas temperaturas médias mensais. Distinguiu climas como:
- Florestas tropicais
- Savana
- Deserto tropical
- Deserto continental temperado
- Floresta subtropical
- Clima mediterrânico
- Estepe
- Clima monçónico temperado
- Floresta decídua temperada
- Taiga (floresta de coníferas)
- Tundra
Classificações de Alísov e Strahler
B. P. Alísov e A. N. Strahler classificaram as zonas climáticas com base nas massas de ar dominantes e na posição das frentes climáticas. Embora tenham utilizado critérios semelhantes, os resultados das suas classificações foram muito diferentes.
Zonas climáticas astronómicas
Este tipo de classificação tem em conta o ângulo de incidência do sol e a duração do dia e da noite, razão pela qual também é designado por «zonas solares».
Con este método:
- El 8 % del planeta corresponde a zonas frías
- El 52 % a zonas templadas
- El 40 % a zonas tropicales
As zonas temperadas apresentam grandes diferenças de temperatura entre o norte e o sul, pelo que os cientistas as subdividiram em temperada quente, temperada fria e temperada muito fria.
Devido à sua vasta extensão e variedade climática, a zona tropical foi, por sua vez, dividida em zona equatorial, zona tropical e zona subtropical.
Em resumo, as principais zonas climáticas astronómicas da Terra são:
- Zona equatorial
- Zona tropical
- Zona subtropical
- Zona temperada
- Zona temperada fria
- Zona polar ou fria
Esta classificação é muito utilizada porque reflete muito bem as diferenças globais em termos de vegetação, espécies, temperatura e precipitação.
Zona climática equatorial
A zona equatorial situa-se na faixa das calmas equatoriais, onde convergem os ventos alísios de nordeste e sudeste. Abrange regiões como a bacia do Amazonas, a bacia do rio Congo, a costa da Guiné, a Malásia, a Indonésia e a Papua-Nova Guiné.
Aqui, as chuvas são muito abundantes, principalmente sob a forma de chuvas convectivas, com precipitação anual entre 1000 e 2000 mm. Não há estações secas bem definidas e chove quase todo o ano, o que faz desta a região mais chuvosa do planeta.
As temperaturas são elevadas durante todo o ano, com médias entre os 25 °C e os 30 °C. A variação anual é reduzida, mas a diferença entre o dia e a noite pode ser acentuada.
A pressão atmosférica está baixa e os ventos são fracos, o que provoca uma sensação constante de abafamento, embora as brisas marítimas ajudem um pouco a aliviar o calor.
Zona climática tropical
A zona tropical estende-se entre a zona equatorial e os trópicos. Também recebe muita chuva, embora menos do que a zona equatorial, com valores que variam entre 100 e 1500 mm por ano.
Não há estações bem definidas, mas existe uma diferença clara entre a estação das chuvas e a estação seca. Geralmente, chove de maio a outubro e a estação seca vai de novembro a abril, embora isso varie consoante a latitude. Quanto mais perto do equador estiver, mais longa será a estação das chuvas.
Esta zona recebe muita radiação solar, pelo que as temperaturas são muito elevadas. Em alguns casos, as temperaturas máximas chegam mesmo a superar as da zona equatorial. Outra característica importante é a grande diferença de temperatura entre o dia e a noite.
Além disso, sob a influência dos ventos alísios, os ciclones tropicais são comuns nos oceanos desta faixa. Os tufões e as chuvas intensas são as principais catástrofes naturais desta região.
Zona climática subtropical
A zona subtropical, também designada por zona de clima subtropical, é dominada durante quase todo o ano por anticiclones subtropicais. Aqui predominam os movimentos de ar descendente, o que provoca temperaturas muito elevadas, radiação solar intensa, poucas nuvens e um clima geralmente seco.
Nas costas ocidentais dos continentes, por se situarem na zona de sotavento dos alísios e sob a influência de correntes marítimas frias, formam-se grandes desertos como o Saara, o Kalahari, o Atacama e os desertos da Austrália.
Por outro lado, nas costas orientais, as correntes marítimas quentes trazem humidade e chuvas abundantes. No sudeste asiático, no norte da Península Malaia, na Índia e no sudeste da China, embora predomine a alta pressão subtropical, o clima é húmido e corresponde ao clima monçónico subtropical.
Nesta zona, a diferença de temperatura entre as estações do ano e entre o dia e a noite é muito acentuada. No verão, as temperaturas podem ultrapassar os 50 °C; em superfícies de areia ou rocha expostas ao sol, é até possível cozinhar um ovo em poucos minutos. Nas regiões desérticas, os miragens são muito comuns.
Zona climática temperada
A zona temperada situa-se aproximadamente entre os 30° e os 45° de latitude. É influenciada alternadamente pelos ventos de oeste e pelos anticiclones subtropicais.
No inverno, predominam os ventos de oeste, com um clima temperado e húmido. No verão, predomina o ar seco e quente do anticiclone subtropical, com menos chuvas e temperaturas elevadas.
Nas costas ocidentais, destaca-se o clima mediterrânico: verões quentes e secos, invernos amenos e chuvosos, com precipitação anual entre 300 e 900 mm, que pode ultrapassar os 1500 mm nas zonas de barlavento. Como a chuva não se distribui de forma uniforme, a irrigação agrícola é muito importante.
No interior do continente, o clima torna-se mais continental, com estações bem definidas e chuvas que coincidem com as altas temperaturas, o que favorece a agricultura. Nas costas orientais, os verões são quentes e húmidos e, no inverno, há grandes diferenças entre o dia e a noite.
Zona climática temperada fria
Na zona temperada fria, são frequentes os ciclones frontais, com alternâncias constantes entre ar frio e ar quente. É uma das regiões mais chuvosas do planeta, apenas superada pela zona equatorial.
Nas costas ocidentais, chove de forma relativamente uniforme durante todo o ano. Nas costas orientais, a maior parte da precipitação ocorre no verão, principalmente sob a forma de chuvas convectivas.
Sob a influência dos ventos de oeste, as diferenças entre as costas ocidentais e orientais são muito acentuadas. As costas ocidentais são banhadas por correntes marítimas quentes, o que dá origem a um clima oceânico. À medida que se avança para o interior do continente, a humidade diminui, as temperaturas baixam e o clima torna-se cada vez mais continental.
No verão, as costas ocidentais têm dias frescos e noites agradáveis; no inverno, o clima é mais temperado e húmido do que noutras regiões da mesma latitude. Nas costas orientais, os verões são longos, quentes e chuvosos, com períodos sem geadas que podem chegar aos 200 dias, ideais para a agricultura. No interior, o clima é frio, seco e com muitas horas de sol.
Esta zona estende-se aproximadamente entre os 45° de latitude e os círculos polares, com verões curtos e amenos e invernos longos e muito frios.
Zona fria ou polar
A zona polar existe apenas dentro dos círculos polares do norte e do sul e apresenta características muito específicas:
- Nos pólos, o dia e a noite duram seis meses cada um. À medida que nos afastamos do pólo, essa diferença vai diminuindo.
- O clima é frio durante todo o ano. No inverno, a escassa radiação solar não é suficiente para aquecer o solo; no verão, embora haja muitas horas de luz, a energia é refletida no gelo e na neve, pelo que a temperatura continua a ser muito baixa.
- Sob a influência dos anticiclones polares, predominam os movimentos descendentes do ar, o que torna o clima seco e com muito pouca precipitação. Quanto mais perto do polo estiver, menos chove, e quase toda a precipitação cai sob a forma de neve.
As zonas climáticas não só explicam as diferenças de temperatura entre as regiões do mundo, como também ajudam a compreender a distribuição da vegetação, dos animais, da água e até mesmo dos modos de vida humanos. Desde a humidade constante da zona equatorial até ao frio extremo das regiões polares, cada faixa do planeta responde à forma como recebe a energia do Sol. Conhecer estas zonas permite-lhe ter uma visão mais clara de como funciona o clima global e por que razão o equilíbrio do planeta é tão delicado.